Depois de uma noitada como a da nossa apresentação, a vontade geral não era a de passar 7 ou 8 horas em viagem... Mas o povo tuga é resistente, e claro que a viagem foi usada para dormir, o que até foi positivo pois durou muito menos tempo assim...
Não foi fácil arranjar os bilhetes para a viagem, mas a coisa resolveu-se por parar umas horas em Bratislava no regresso, fazendo algo do género 2 em 1 nesta viagem.
Desta vez éramos 8. Eu e a Rute, claro e sempre, a Clarita, o João Leite, o Pedro, o Zé João, o Tiago e a Bárbara. A rapaziada de Strahov foi chegando à estação, e só quando os últimos já vinham a caminho da estação, em cima da hora, se deu conta: faltava a Bárbara! Telefonema rápido, e a rapariga ainda estava em Strahov, convencida de que conseguiria chegar a tempo... Pois verdade revelou-se cruel. Já éramos apenas 7 em viagem... Mas só até ao fim do dia seguinte, que uma viagem destas não se desperdiça!
Budapeste, capital da Hungria, situa-se a cerca de 450km de Praga, para sudeste. A Hungria tem uma história complicada e agitada, tendo passado por invasões, ocupações, guerras e domínios comunistas. A cidade, atravessada pelo rio Danúbio, o maior da Europa, é na prática o conjunto de três distintas cidades, Pest, na margem direita, e Buda e Óbuda, na esquerda, que se uniram em 1873.
Chegados à capital húngara, habitual primeiro passo: levantar dinheiro. Lá nos orientámos, e seguimos para o metro, onde iríamos seguir para o centro, em busca do hostel. Curiosamente, os preços dos bilhetes de metro são proibitivos! No início, como não sabíamos quanto íamos andar de transportes, começámos por comprar bilhetes simples. Mas como até para mudar de linha precisávamos de um novo bilhete, acabámos por optar pelo passe turístico de 3 dias, que custava cerca de 12€... Para um país com moeda tão desvalorizada, não se vive nada mal!...
O metro de Budapeste tem a linha mais antiga da Europa, e a segunda mais antiga do mundo, construída em 1896, e é considerada Património da Humanidade. Esta linha 1 é praticamente superficial, os metros que a percorrem são especiais, e a cantilena das "próximas estações" parece algo saído do jogo do Super Mário! :D
O nosso hostel situava-se mesmo no centro. Como de costume, num prédio antigo, desta vez o quarto ficou só para nós, já que ocupávamos todas as camas. Curiosamente (err...) estava tudo com uma podridão que só visto... Decidimos então começar a visitar aquele que seria sem dúvida o ponto alto da viagem (rivalizando, talvez, com a noite da bebedeira), ou seja, as termas. Nada melhor para curar uma ressaca com viagem de 8 horas em cima! A custo saímos da letargia em que nos encontrávamos, passámos pelo McDonald's para os mais esfomeados que não vieram prevenidos, e seguimos na direcção do vapor de água... Já era de noite quando entrámos no edifício das termas de Szechenyi, uma das mais antigas da cidade, construídas em 1913. A grande atracção são as três piscinas exteriores, das quais a mais quente ronda os 38ºC! O percurso balneários-piscina era sofrido, estando apenas de calções de banho, mas a recompensa era algo de outro mundo... As outras duas piscinas tinham água um pouco mais fria, sendo que a da ponta oposta tinha também jacuzzi, jactos de água, e algo fantástico, uma "corrente" artificial, que nos impelia à volta do jacuzzi, sem qualquer esforço nosso. A cena mais cómica e divertida possível... E às vezes era difícil sair do vórtex!
As termas fecham as 10 da noite, mas nós não aguentámos tanto... As peles estavam já completamente engelhadas, mas a principal razão foi a fome que despontava. A custo saímos do quentinho, e completamente relaxados, vagueámos um pouco pelo centro da cidade, em busca de alimento. Acabámos por encontrar uma espécie de feira, numa praça, onde os grelhados de carne fizeram as delícias deste povo tuga. Nessa noite, pouco mais conseguimos fazer. Foi voltar po hostel e dormir, que havia muito para visitar...
parecia manhattan, com tanto vapor a escapar-se do chão!
as termas ao ar livre, de dia e de noite
tanto vapor no ar dá para ter ideia do frio que estava... e a companhia de molho!
crianças engraçadinhas... e desta vez, todos alinhadinhos!
a feira de contornos natalícios
a fome era negra... :D
Manhã seguinte, e cultura pá frente! Começámos pela Sinagoga de Budapeste, a terceira maior do Mundo (esta cidade é só recordes...), e fomos andando até à avenida Andrassy, onde está a opera e a House of Terror, um museu que retrata os regimes violentos comunistas e fascistas do século XX na Hungria. Sempre a penantes, chegámos à Heroes Square, de aspecto algo monumental, rodeada por importantes museus de arte. Almoçámos num mega edifício arquitectónico, e depois seguimos viagem, até ao Castelo de Vajdahunyad, no City Park, e à Basílica de Sto. Estêvão. Passámos ainda pelo mercado da cidade, onde encontrámos duas coleguinhas arquitectas portuguesas em Erasmus também, mas em Budapeste! Mundo pequeno... Voltámos à estação de autocarros, para ir buscar a Bárbara que finalmente se nos juntou, e as crianças quiseram depois ir patinar no gelo. Os adultos e responsáveis ficaram a tomar conta dos pequenos, ao longe... Para jantar, nada melhor que o Burguer King da esquina! E preparávamo-nos para a noite...
A Sinagoga e a fotógrafa
o Figo e respectiva gaja, e um porco a passear-se em frente à Ópera (suíno culto!)
o edifício da Ópera, igualmente natalícia
Em Budapeste, ao menos, há a hipótese da escolha... :D e o pessoal em frente à árvore da Ópera apercebeu-se de que faltava qualquer coisa...
o Presépio, ora pois! completo com animaizinhos e tudo... haha
a House of Terror metia respeito...
a imponente Heroes' Square, e um dos museus que a rodeavam
o edifício onde almoçámos...
a mini-catedral do castelo, e... bom, nem toda a gente se sabe comportar... :D
...fetiche com estátuas? o do canto superior esquerdo é o "famoso" Anonymus (?)
a Basílica de Sto. Estêvão, por fora e por dentro
o mercado, enorme e muito giro
à espera da Bárbara na estação...
o ringue de patinagem, também no City parque junto ao castelo dessa mesma tarde
...Que começou no hostel, como meninos poupadinhos que somos. Abastecemo-nos na mercearia da rua, e deu-se início ao processo... Os habituais jogos marcaram presença, embora para o final já se misturassem limões com múltiplos de 5 e 7, pingues e pongues e símbolos esquisitos... Digamos que quando acabaram as garrafas e decidimos sair já íamos bem alegres! A custo lá encontrámos a disco que as nossas tugas húngaras nos indicaram, e foi a desbunda! O regresso ao hostel fez-se em 3 prestações, sendo que cada uma foi diferente da outra... LOL
e felizmente no regresso já o metro tinha aberto... nem todos estavam em condições de grandes caminhadas... LOL
O dia seguinte amanheceu cinzento e com dores de cabeça para a maioria... Mas a cidade ainda não estava vista! Este era o dia dedicado a Buda. O parlamento visto da margem oposta do rio é algo digno de vista, e não poderia faltar a tradicional foto de grupo. Iniciámos então o caminho e subida para o castelo. A fome não nos demoveu do objectivo, e visitou-se o essencial. Mathias Church, que apesar de coberta exteriormente para restauro, mantinha uns interiores fantásticos, e o Bastião dos Pescadores, de onde se tem uma vista fabulosa para a zona de Pest e Rio Danúbio. Pausa para almoço, novamente num Burguer King, e continuou-se a visita, ao longo do rio até à Ponte Szechenyi. A nossa intenção era depois apanhar o funicular de volta à zona sul do Castle Hill, mas o passe não incluía a sua utilização, e como tal até nem custou muito subir a pé. A vista nocturna era também muito boa, mas como temos sempre que ter um momento de "fomos roubados!", decidimos visitar o labirinto subterrâneo. Óbvio que foi ridículo, nem se percebeu qual era o objectivo do espaço, já que de labiríntico tinha pouco, e o espaço encontrava-se polvilhado de elementos ficcionários sem que se percebesse bem o seu significado. Havia também uma fonte de vinho, que destilava um odor que embriagava quem se aproximasse a 50metros, e pseudo-músicos tocavam qualquer coisa por entre os túneis, com parca audiência.
a subida não foi fácil... tudo cara alegre!
a ponte de Szechenyi
vista para a ponte a meio da subida

enquanto não se decidia para onde ir, ainda deu tempo para escrever um postal para o Jorge, que fazia anos... passado dias chegou a Strahov :D

tanta coisa interessante e VERDADEIRA para se ver no labirinto...
enquanto não se decidia para onde ir, ainda deu tempo para escrever um postal para o Jorge, que fazia anos... passado dias chegou a Strahov :D
tanta coisa interessante e VERDADEIRA para se ver no labirinto...
a única parte minimamente engraçada foi um pequeno percurso completamente às escuras... uuuuuuh!...
Depois da banhada, percorremos o restante recinto do castelo, que é bastante vasto, passámos pelo enorme palácio, e voltámos a descer, para apanhar transporte de volta para o centro. Bastante cansados, resolvemos mostrar à Bárbara as maravilhas das termas budapestianas, sendo que desta vez entrámos mais tarde e só saímos quando nos expulsaram das piscinas... Uma maravilha. Ficássemos mais tempo, mais vezes lá iríamos... Àquela hora já não encontrámos nada aberto, pelo que fizemos jantar mesmo no hostel, com comidinha da mercearia aberta. Algo frugal, obviamente. Nessa noite mantivemo-nos mesmo por aí (as termas punham o pessoal completamente mole), em parte pesquisando os nossos antepassados históricos... Nem todos podem ser descendentes de D. Afonso Henriques! :D
o palácio do Castle Hill
No dia seguinte ainda regressámos a Buda para visitar a citadela (mais umas centenas de degraus...), e passámos finalmente em frente ao Parlamento, já em Pest. Depois de vários dias a comer porcarias, e uma vez que praticamente toda a gente tinha florints a mais, resolvemos que merecíamos um mimo. Não olhámos a despesas e almoçámos num restaurante Argentino todo finésse, que soube pela vida. As horas passavam e aproximava-se a hora do autocarro. Numa última corrida pela cidade, regressámos ao hostel para buscar as mochilas e siga pa jusante.
paragem técnica a meio do caminho
...foi para isto que subimos? inda por cima tá nevoeiro, nem se vê a vista...
finalmente o Parlamento!
a foto fofinha... "a Bárbara é minha amiga!..." LOL
Passadas algumas horas saímos em Bratislava. Chovia algo copiosamente, pelo que a vontade de andar a visitar a cidade, para além de ser de noite, não era muita. O centro foi o nosso destino, mas cedo percebemos que o melhor mesmo era jantar e esperar pela hora de partida do nosso transporte para Praga. A simpatia não imperava no restaurante, pelo que também não foi muito agradável lá ficar à espera. Mas em menos de nada a hora tinha chegado, e mesmo ensopados voltámos a sair para a chuva, rumo a uma viagem cheia de paragens e interregnos, mas sempre cheia de humor... =)
o senhor da tampa de esgoto, a quem já arrancaram a cabeça por diversas vezes...
prontos pa dormir uma soneca até Praga...
Foi a última viagem oficial de 2007... sabe bem voltar a "casa"!!

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