segunda-feira, 10 de março de 2008

Bálticos [6-13 Fev.] - 2ª parte

Antes de mais, aqui fica o vídeo de uma paragem técnica no caminho entre Riga e Kaunas. Pode-se dizer que aquele deserto nunca viu tanta animação concentrada... :D



Continuando a saga do post anterior, estávamos em Kaunas.

Amanhece, e como aqui não tínhamos direito a pequeno almoço, e a água continuava fria (toma-se banho depois!), para jusante e os que conseguiram sair da cama foram explorar a cidade. De dia, a coisa tem outro aspecto. E apesar de ter um centro bastante pequeno, arranja-se qualquer coisita para ver.

uma tipica rua de Kaunas

la na pracinha do sitio


o riacho (e nos no "embankment")

uma foto que demorou 3 horas a compor (que maravilha!)


mais um landmark la do sitio (isto tem tudo nomes, concerteza...)


a fortaleza de Kaunas, ou la que era


cara de Kaunas (belo background)


Sendo horas de rumar finalmente a Vilnius, buscaram-se os restantes elementos preguiçosos e a viagem fez-se em menos de uma hora. Para não variar, o pessoal tinha fome, e desta vez o amigo McDonald’s foi opção. Depois de tão faustosa refeição, hostel para descarregar, e algumas dificuldade em estacionar a carrinha no parque privativo, que resultou na mesma ficar de fora. A seguir, turismo, já de noite. Vilnius é completamente diferente da congénere letã. Mais trabalhada, de traço barroco, fazendo lembrar as nobres capitais europeias do século XIX. E com muito para ver.


vai a frente, vai atras... la ficou a VW de fora!


muito monumento para ver...

rua de Vilnius, porreira, pa!

vista do castelo


praca central a noite

noctivagos no castelo


Tal actividade cultural suscita sempre aquela fomeca manhosa, e não tarda montámos arraiais num restaurante à beira (haha) do hostel. E que jantar! O mais bem regado de toda a viagem, e com isto escuso de dizer mais alguma coisa! Passadas algumas horas, e já algo cambaleantes, a noite continuou numa disco lá ao lado. Mais uma boa litragem de álcool para o sangue e som a bombar foi receita para um regresso ao hostel ás 5 da manhã. Claro que no dia seguinte o erguer foi difícil, e cada um a seu tempo, mas ainda deu para ver qualquer coisa de manhã da cidade (de registar o melhor banho da viagem!). Ficou-nos água na boca para mais, e amaldiçoámos o momento em que decidomos parar em Kaunas... Vilnius sim, é uma cidade à maneira!


a verdadeira refeicao gourmet

comeca o texas...


o trio da Bořivojova

amiguinhos

os resistentes kostnitskianos

o ultimo shot da noite


em busca de paparoca fora de horas



o javali e a sua frase da viagem. o resto do video nao interessa... LOL


Esperáva-nos percorrer a maior distância de todas. Vilnius-Tallinn. Antes da viagem era suposto fazê-la durante o dia. Na véspera, era suposto almoçar e partir. Na realidade, já era de noite quando nos pusemos a caminho... Só para sair da cidade foi uma aventura. Sem quaisquer indicações, e uma vez que misteriosamente perdemos o mapa, andámos à toa uns quilómetros antes de enveredarmos pelo caminho correcto, não sem antes pedirmos indicações numa bomba. De louvar a dedicação dos nosso dois condutores, o Leite e o Tiago, que estiveram à altura e orientaram uma demanda destas sem queixumes. Deu para dormir qualquer coisa, mas já se sabe que tanta gente junta (leia-se Diogo e Saleiro) fazem sempre alguma algazarra, de maneira que estava tudo mais que acordado quando finalmente entrámos em Tallinn. Desta vez orientámo-nos, não porque tínhamos mapa ou haviam indicações, mas porque o hostel ficava mesmo junto à praça central da cidade velha, e no seu centro ergue-se uma torre que domina os arredores. Aí estava o nosso ponto de referência. O hostel, mais caseiro não podia ser. De look completamente hippie, tinha o seu quê de encravado, mas dava para a despesa. Claro que os banhos continuaram a sua saga, uma vez que a caldeira aguentava para aí 3 banhos seguidos (optimista!), e os restantes eram geladinhos...

Na manhã seguinte está claro que a alvorada foi tardia... Menos para quem foi entregar a viatura, que mesmo assim voltou à cama no regresso. Três meninos partiam já para Praga nessa tarde, pois aproximava-se o regresso final a Portugal. A Clarita, o Leite e o Tiago ainda conseguiram erguer-se um pouco mais cedo para ver qualquer coisa da cidade. Os restantes, com tempo, trataram de arranjar passagem para a Finlândia, e só depois do almocinho de despedida se fizeram à cidade. Tallinn, capital da Estónia, novamente diferente das anteriores. Desta vez surgiu-nos uma cidade completamente medieval, no seu centro, e bastante moderna nos seus arredores. Com a perspectiva de preços inflacionados do outro lado do golfo, programou-se uns mata-bicho no supermercado local, onde encontrámos produtos bem portugueses, como a Compal ou pêra rocha! Para o jantar, nada melhor que um Texas para saciar aquela fomeca...


a ultima foto do grupo...sniff!!!

em busca de direccoes


skyline de Tallinn




monumentos e coisinhas fixes

a torre da praca central


a igreja ortodoxa

os estonianos resistentes

o tuga ta em toooodas!

A manhã seguinte começou bem cedo. O ferry para Helsínquia saía às 8:15, e com apenas um dia para ver a cidade, todos os minutos têm de ser bem aproveitados. O barco era daqueles enormes, que levam carros e autocarros, com supermercado e restaurante. Três horinhas de viagem, e sentimos solo finlandês. Aqui também poderíamos ter tido guia, mas estava adoentado...



o nosso "pequeno" barquito (reparem no TIR a entrar...)

O tempo não estava grande coisa, e o frio apertava como nunca. A cidade pareceu acinzentada, mas bastante moderna e cosmopolita. Muita coisa para ver, mas apesar de tudo num dia o essencial da cidade ficou visto. E quase nunca parámos...

pikena igreja


outra igualmente pequena





espectaculo de biblioteca!

nao podia faltar a visitinha a Nokia


a estacao central de comboios (e sim, Helsinquia tem metro!)

o museu do Steven Holl



mais arquitectura contemporanea



o pavilhao da Finlandia, do titio Alvar Aalto


a igreja de Temppeliaukio, escavada na rocha, no meio da cidade, a sala com melhor acustica da Finlandia!


Completamente estafados, e depois do jantar, mais três horinhas de volta a Tallinn. Houve quem aproveitasse a viagem para aquecer... coisa que levou continuação no hostel. Mas só o Diogo e o Saleiro é que se aventuraram na night.


tatuagens estonianas. em caracteres pseudo-chineses "eu gosto de viajar" LOL

Manhã seguinte para conhecer o resto da cidade, e depois do almoço foi rumar ao aeroporto, e voar para Berlim. Lá, apenas eu e o Diogo continuávamos viagem para Praga, mas como era preciso fazer algumas horas, nada como acompanhar a turminha ao seu novo hostel, e jantar num grego à maneira, mesmo sem perceber nada da ementa, ou em alemão ou mesmo em grego. Não tardou chegar a hora da partida. Mas ainda deu tempo para um shotzinho de Jagermeister para a despedida.

Em menos de um fósforo estavamos a entrar em Kostnicke, intrometendo-nos no processo de despedida do Leite e da Clarita, que claramente estavam a apoveitar bem as últimas horas, hehehe.

Com o fim da viagem chegou também ao fim um montão de outras coisas. Felizmente para nós não significou o regresso a casa. Ainda não estamos preparados. Talvez em Junho... =P

domingo, 2 de março de 2008

Bálticos [6-13 Fev.] - 1ª parte

Depois de uma fase intensa de exames, trabalhos e entregas, chega o fim do semestre. Parece irónico, que a altura em que se devem aproveitar os últimos momentos sejam precisamente os mais ocupados pelo tão indesejado trabalho. Para muitos é o fim de Erasmus. O fim de 5 meses inesquecíveis, sem hipótese de transcrição. Cinco meses que mudam uma vida inteira e prolongam os horizontes de um olhar anteriormente míope. Janeiro foi um mês de depressão. Depressão porque foi uma fase erásmica nova. A fase de ficar fechado dias a fio porque os exames se seguiam sem clemência. E as hostes estavam mal habituadas, pois a vida em Praga nada tinha a ver com isto... Mas depressão também porque acabava o semestre. Para aqueles que partiam era o fim. Para os que ficavam, era a despedida e a perspectiva de uma fase nova, certamente diferente.

Mas antes de toda esta fase negra de partidas, um último esforço, em memória de todos aqueles momentos registados em mais de 15GB de fotos (e aqueles registados apenas nos neurónios!). A última viagem do semestre.

A turminha completa com o bólide

Ora, tal ocasião importante necessitava de um programa em cheio. Uma viagem que dificilmente faríamos de outra maneira, parcamente turística. Vai-se a ver, os países Bálticos não ficam assim tão longe!

E assim foi. Juntou-se o maior grupinho até ao momento (eles brotam!) e o plano ficou feito. Voo Berlim-Riga para ir, apanhando autocarro em Praga. Com os deadlines das partidas para regresso a Portugal, cada um se organizou como dava jeito. Uns visitaram Berlim dias antes, outros depois, no regresso. Para outros, poucos, Berlim serviu apenas de interface.

Da viagem até à capital da Letónia, nada a registar. Não houve atrasos nem gente para trás. No hostel de Riga ficámos num quarto-sótão, onde se iniciou uma saga de banhos frios. Canalizações antigas, diziam eles...

à chegada do aeroporto de Riga

o nosso quartinho

A primeira cidade visitada revelou-se intrigante. Talvez pelo estado do tempo, pareceu-nos cinzenta e austera, mas mesmo assim bonita e imponente. À chegada, almoço num restaurante russo self-service, nada de especial. Depois, passeio pela cidade, mas o cansaço apertava, que a viagem tinha sido longa, e aos poucos se foi rumando ao hostel. Depois da sesta tardia, jantar num sports bar na esperança de assistir ao jogo de Portugal. Nada feito. Depois do jantar, continuou-se a degustação de cerveja letã, num barzinho simpático que nos foi indicado. Outros posteriormente resolveram seguir um convite feminino, indo parar ao bar com pior reputação da cidade! A carne é fraca. De regresso ao hostel tivemos de acordar a menina da recepção, que já estava bem alegre antes de sairmos. Passou ainda por alguns momentos de tortura, antes de a deixarmos em paz...



a sinagoga das 5 (6?) cúpulas

o rio com gelo nas margens


a praça central fixe

cerveja letã para jusante


Na manhã seguinte, nada como começar por uma panorâmica da cidade. Subindo ao topo da torre da catedral de S. Pedro, a maior cidade dos três Bálticos estendeu-se a nossos pés. E percebemos como ainda estávamos longe do mar! Ao descer, estava à nossa espera o Janis, companheiro de quarto do Zé João em Strahov até Dezembro, e letão de nascimento. Finalmente tínhamos guia! E ainda por cima fazia anos...

Visitámos o Museu da Ocupação da Letónia, memória de gentes sofridas, mas mesmo depois de tanta desgraça a fome apertava... Como já se faziam horas, o Janis levou-nos a um restaurante muito bom (quem sabe, sabe), onde a turminha se reuniu (cada um se levantou à sua hora), e continuámos visitas. O castelo, a ponte e o rio... e supermercado para abastecer a noite e o dia seguinte de viagem. Depois do jantar, ocupámos a sala comum do hostel e fizemos a festa. Alguns ainda saíram para uma disco-night, desta vez como deve ser e sem suásticas à porta...


o castelo

a turminha com o guia



a nossa festa no hostel


Na manhã seguinte, os dois eleitos condutores e o financiador do projecto levantaram-se mais cedo para ir buscar a viatura. Claro que, pelos becos e ruelas de Riga, andaram perdidos. Mas lá deram com o sítio, apesar da parca informação visual da Hertz... Mesmo com tanto atraso, o pessoal que se quedou no hostel ainda não estava despachado. Mas não tardou a ficar. E pusémo-nos a caminho. O demónio para uma pessoa se orientar nas estradas dos Bálticos, já que esta gente não usa sinalizações!! Mas mesmo por tentativa e erro a coisa ia-se fazendo.

Logo na primeira paragem, numa bomba de gasolina, o Diogo comprou daquelas cenas para fazer bolinhas de sabão... Foi o remédio para o resto da viagem! Entretido chateava muito menos... LOL

Já o Sol se ameaçava por quando entrámos em Kaunas. A Lituânia em termos de paisagem parecia igual à Letónia, mas a cidade apresentava sérias diferenças... Como dizer...

Praticamente desorientados, pusémo-nos em busca do hostel. Kaunas é a segunda cidade da Lituânia, e sem ninguém saber bem porquê, decidimos lá ficar uma noite. Aparentemente seria uma cidade de estudantes, com intensa vida nocturna. Claro que isso era um argumento chamativo... Mas o nosso hostel não se situava bem no centro, e quando começámos a percepcionar a zona... Bem, se disser que parecia a Cova da Moura lituana, não andarei muito longe! Só estando lá para ver, mesmo... Quando encontrámos o hostel, enviaram-se prospectores. Parecia novo, e apesar da menina não falar puto de inglês, lá percebemos que éramos mesmo os primeiros hóspedes (e únicos!). Tínhamos algumas dúvidas se lá ficaríamos a pernoitar, portanto rumámos ao centro em busca de alternativa. De transporte privado, ficava perto.

A fome entretanto falou mais alto, e jantámos num restaurante de nome Pizza Jazz, iniciando-se assim as refeições gourmet. 5 estrelas. Depois de tal repasto, a decisão de ficar naquele hostel pareceu mais fácil, e enquanto que uns voltaram para fazer o check-in, o Diogo e o Saleiro foram fazer o reconhecimento da noite. Quando a turminha se juntou, já eles tinham feito amizade com um casalinho local (sempre casais, estranhamente... :D), e foi aí que tivemos contacto com a dura realidade de Kaunas: a cidade com maior índice de violência dos países Bálticos, a ponto das tropas da NATO levarem nas trombas quando lá passam (isto segundo o rapazinho que nos acompanhava, embora tenhamos algumas dúvidas). Mas o facalhão que vimos nas mãos de um jovem que andou de olho em nós uns quarteirões já não foi ilusão! Lá nos dirigimos para mais um barzito, cheio até à entrada, mas bastante pacífico por sinal. E pela primeira e única vez, toda a gente rumou ao hostel ao mesmo tempo, já que tudo dependia da nossa VW Transporter.






o verdadeiro "Hostel"



(para esta leitura não ser tão secante, dividiu-se o post em 2... regressamos num fósforo! :p)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Férias em Casa

É uma sensação estranha, esta de ir passar férias a casa.

As saudades apertavam, até das coisas mais insignificantes (aparentemente!).

Rever tanta gente que faz parte do nosso dia a dia tem aquele gosto especial do regresso às coisas que nos fazem mais falta, a que estamos habituados e tomamos como certas, mas que instintivamente tentamos afastar da nossa nova rotina, esperando que a sua ausência não custe tanto...

Parecia que iria ser imenso tempo... Duas semanas e meia! Afinal, nem deu para fazer tudo o que queria, e pior, para rever todos os que queria... Muito menos, obviamente, deu para trabalhar!

O Natal teve um 24 diferente, em casa nova, e em tentativa de se criarem "novas" tradições (todos os anos pode haver um Jack, o perú, à mesa... haha). O 25 foi igual a todos eles, o calor da família reunida e o reencontro anual com outros tantos. Santa Cruz estava, claro, melhor que nunca, e partir foi o maior aperto de coração. Mas havia o consolo de uma passagem de ano bem especial...

De regresso ao Algarve e a Albufeira, tal como a primeira passagem de ano em Seita, nunca se tinha conseguido ficar tantos dias seguidos em tal ocasião! O trabalho parece abrandar, ora parece que não sou o único em Erasmus... haha

Os 5 dias passaram a correr, e num último fôlego lisboeta ainda deu para passar pela faculdade... Aí, muitas novidades, mas o essencial na mesma: trabalho escravizante sem hipótese de fuga. Apesar de tanta amargura para com o sítio, completou-se o ciclo de regresso à vida em Portugal. Família, Lazer e Trabalho.

Sábado foi a depressão. Regressar ao trabalho (que agora sim, e finalmente, seria intensivo), aos cozinhados, às máquinas de roupa, e infelizmente sem a componente que mais nos anima em perspectiva: a boa vida. Domingo pior ainda foi, ter de levantar cedo e despedir de tudo, nem sabendo para quando estava agendado o regresso (fim de Junho?...), passar o dia em viagem, horas em aeroportos, Praga coberta de neve e só a dificultar a locomoção da mala, entrar em casa e ver o povo a trabalhar... Digamos que não foi o melhor dia da vida.

Mas com as semanas voltei a lembrar o porquê de ter entregue aquele primeiro papel à sodona Prats. E lembrei também porque entreguei o segundo. Mesmo atolado em trabalho, não há como esta cidade. Esta vida, a independência que se conquista e inevitavelmente se obtém. A liberdade para correr o mundo e sentir todas as possibilidades em aberto. O aprender a não temer a mudança, mesmo que drástica, e a noção de que nos conseguimos adaptar a qualquer situação, encontrando o melhor que há na mesma, sem dúvidas ou hesitações.

O primeiro semestre chega ao fim. Inicialmente era, também para mim, o fim desta experiência e o retorno incondicional a casa. Agora não. É apenas o meio ponto, a continuação da experiência de uma vida, com novos desafios e novos cenários. E novas viagens, também!

Já me excedo em prosa. Este período de hiato bloguista foi necessário, mas este espaço virtual continuará a ser palco da nossa aventura, para todo e qualquer internauta poder estar informado.


Até já!... ;)